Menina quietinha
No quarto escuro
Além da janela
Se estende um muro
Menina sentada
No chão frio e duro
Abraça as pernas
Pensa no futuro
Menina descalça
Com roupas tão velhas
Olhar tão distante
Pupilas vermelhas
Menina tristonha
Com medo do tempo
Trovões e neblina
Fugindo do vento
Menina chorando
Seu choro é valente
Consegue mostrar
Sem medo o que sente
Menina, menina
Pequena criança
Olhando você
Me vem a lembrança
Menina soluça
Confusa e perdida
Querendo carinho
Sentir-se acolhida
Menina crescendo
O mundo a abraça
Um ponto de luz
Em meio a fumaça
Menina rebelde
O choro acabou
Os olhos tão tristes
"Ninguém me amou!"
Menina carente
Inocente, espera
Um gesto gentil
Que nunca tivera***
Menina suspira
Sentindo tremor
Nos braços de um homem
Pensa ter amor
Menina noturna
Ao brilho da lua
A luz em seu corpo
Amor ficou nua
Menina entregue
De corpo a sonhos
Seus olhos e jeitos
Não são mais tristonhos
Menina encantada
Saiu do escuro
Pensa ter achado
Seu porto seguro
Menina, menina
A vida é dura
O jogo do amor
É coisa insegura
Menina esquecida
Em seus pensamentos
Niguém a procura
Angústia, lamentos
Menina ferida
Um golpe injusto
Pensou ser amor
Mas era pretexto
Menina sentada
No chão frio e escuro
Abraça as pernas
Pensa no futuro
Menina mulher
No quarto escuro
Além da janela
Se estende um muro
Menina de salto
Com roupas tão lindas
Olhar tão distante
Esperanças findas
Menina suspira
E então adormece
Mas dessa ferida
Jamais se esquece
Menina amanhece
Coragem e dor
Murmura uma prece
e espera... o amor!
segunda-feira, 15 de março de 2010
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