segunda-feira, 15 de março de 2010

Algumas rimas, para variar... [ Menina ]

Menina quietinha
No quarto escuro
Além da janela
Se estende um muro

Menina sentada
No chão frio e duro
Abraça as pernas
Pensa no futuro

Menina descalça
Com roupas tão velhas
Olhar tão distante
Pupilas vermelhas

Menina tristonha
Com medo do tempo
Trovões e neblina
Fugindo do vento

Menina chorando
Seu choro é valente
Consegue mostrar
Sem medo o que sente

Menina, menina
Pequena criança
Olhando você
Me vem a lembrança

Menina soluça
Confusa e perdida
Querendo carinho
Sentir-se acolhida

Menina crescendo
O mundo a abraça
Um ponto de luz
Em meio a fumaça

Menina rebelde
O choro acabou
Os olhos tão tristes
"Ninguém me amou!"

Menina carente
Inocente, espera
Um gesto gentil
Que nunca tivera***

Menina suspira
Sentindo tremor
Nos braços de um homem
Pensa ter amor

Menina noturna
Ao brilho da lua
A luz em seu corpo
Amor ficou nua

Menina entregue
De corpo a sonhos
Seus olhos e jeitos
Não são mais tristonhos

Menina encantada
Saiu do escuro
Pensa ter achado
Seu porto seguro

Menina, menina
A vida é dura
O jogo do amor
É coisa insegura

Menina esquecida
Em seus pensamentos
Niguém a procura
Angústia, lamentos

Menina ferida
Um golpe injusto
Pensou ser amor
Mas era pretexto

Menina sentada
No chão frio e escuro
Abraça as pernas
Pensa no futuro

Menina mulher
No quarto escuro
Além da janela
Se estende um muro

Menina de salto
Com roupas tão lindas
Olhar tão distante
Esperanças findas

Menina suspira
E então adormece
Mas dessa ferida
Jamais se esquece

Menina amanhece
Coragem e dor
Murmura uma prece
e espera... o amor!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Desabafo: Superficiais

eu n sou uma pessoa mto fácil
mas tem graça ser fácil?
a segunda linha já diz que sou assim por que quero
está de acordo com minhas convicções
a vida não foi fácil pra mim
(reconheço que poderia ter sido mais difícil)
sou saudável, qi normal, perfil normal...
financeiramente pobre, em ascenção graças a Deus
nunca abriram porta de carro pra mim
ninguém foi me buscar em casa
ninguém me pagou uma bebida
niguém me viu voltando de moto-táxi com um desconhecido pela madrugada
ninguém me viu chorando no banheiro querendo melhorar tudo isso
vi as pessoas jogando alto e perdendo
vi as pessoas se entregando e sofrendo
vi as pessoas mentindo, enganando
roubando o direito da verdade
e sem sentir culpa alguma
vi as pessoas traindo como se fosse algo natural
e vi as pessoas perdoando como se fosse celestial (e não deveria ser?)
vi e ainda vejo as pessoas engolindo as mágoas...
perdendo as conquistas
tudo pra quem não tem nada eh tão custoso!
minha mãe me amou do jeito dela
e meu pai me abandonou do jeito dele
qual pai?
o de verdade, ou o de mentira?
no balanço da vida
- parece um caminhão desgovernado,
eu só escuto o velho jargão militar:
se páro eu penso, se penso eu paro, não posso parar, não posso parar...
sou difícil de lidar
não aceito futilidade
não aceito ser tratada como sexo frágil
afinal, nunca fui tratada assim
não falo de vc pelas costas
mas sofro as consequencias pro ter coragem de falar cara a cara
ser sincero é tão duro
e ser diferente é tão escuro
só vejo as suas costas e escuto o seu riso e indiferença
mas mesmo assim, não mudo
será q a vida endureceu meu coração?
ou fechou o seu, com essas coisas superficiais
não fale de mim pelas costas
não me feche no trânsito
não quero estar no seu ponto cego
não me dê as costas
não fale enquanto estou falando
me respeite
não seja assim tão mesquinha
queria apenas ter a sua companhia
verdeira, entregue, sem máscaras
tudo sempre foi tão difícil...
desculpe se não posso sentar com vc e compartilhar da sua levianidade
não dá!
simplesmente não desce, sabe?
vai contra o que eu sou
o que as coisas me tornaram
eu sempre te falei
a vida não foi fácil
e eu nunca fui dócil
eu queria apenas a sua atenção sincera
o seu afeto
sem descaso, sem desprezo
mas não tenho...
então respondo com as armas de sempre
força e protesto
grito e silêncio
ódio e rancor
me faltou amor?
te sobrou amor?
quem nasce com tudo certamente será fútil?
quem nasce ao léo aprende o valor das coisas?
prefiro ser sozinha e sincera
ao ser acompanhada pelas cobras...
a sentar a mesa com os ratos
e compartilhar da vida com parasitas mórbidos banais.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Eu (por mim mesma)

eu sou assim
surpreendida
tocada
aquecida
desejada
querida
inspirada
esquecida
lembrada
invocada
guardada
repelida
odiada
reprimdida
e outras tantas coisas
que nem sei
então,
Não sou eu por mim mesma
Eu não tenho forma sólida
Apenas sou uma resposta
aos seus estímulos
à você
Sou do jeito que me trata
Sou do jeito que me pede
Mas um pouco de mim não cede
E talvez esse pouco seja eu...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Êxtase


Abro os olhos.
Com dificuldade, vejo vultos borrados
Vozes ecoam palavras distorcidas
Os movimentos ganham sombra em câmera lenta
E um grito de silêncio agudo tenta estourar os meus ouvidos.
Mas, quando inspiro,
Um êxtase quente me envolve os sentidos
O gozo é tanto que os meus olhos se fecham espontaneamente
E um rock and roll ao vivo vira trilha sonora de uma sensação circular
É como se eu estivesse na primeira fila do show do Use Your Illusion
Ouvindo minha música favorita
Sentindo o cheiro de prazer e liberdade chegarem ao meu peito
Peito... vento... gira... inspiro... crazy...
Mas, com o tempo
A música vira murmúrios
O quente fica frio
E o gozo, agora é tremor
É como se seguranças me arrastassem pelo chão de ponta cabeça
As vozes, daqui deste lado
Vão ficando mais claras, mais firmes, mais rudes
Essas não são minhas palavras prediletas
Não é isto que quero sentir
Quero voltar à música, ao êxtase, ao delírio
À antiga utopia de dias claros, calmos e de paz
Então, me desculpe se não posso estar aqui...
E se não sinto que posso, que quero, enfrentar estas coisas
Tão brutas
Tão... reais.

2008
by Sharingan